Introdução à Economia Solidária

Editora Fundação Perseu Abramo, 2002

Nas páginas deste livro se encontram sólidos argumentos reafirmando a necessidade de buscarmos uma forma de organização social e econômica que ultrapasse as potencialidades oferecidas à humanidade pelo capitalismo, superando as desigualdades que lhe são inerentes.

Economista, professor universitário, intelectual reconhecido nacionalmente há muitas décadas, militante metalúrgico nos anos 50, há mais de meio século Paul Singer se dedica com paixão – talvez a paixão maior de sua vida – a uma defesa das ideias socialistas que não faz qualquer concessão ao dogmatismo.

Ele é provavelmente o pesquisador brasileiro que vem se dedicando com mais persistência, nos últimos anos, ao trabalho de repensar a utopia socialista a partir das duras lições oferecidas pelas distorções e pelos rumos ditatoriais assumidos na experiência do chamado socialismo real.

Para pessoas como eu, que nunca acreditaram na viabilidade de um socialismo em que o Estado tudo decide, nem conseguem imaginar uma sociedade baseada no igualitarismo absoluto, que anestesia o impulso que cada um de nós tem de crescimento, este estudo de Singer vale como um bálsamo e como verdadeira fonte de luz.

Para pessoas como eu, adversárias de um certo discurso que aponta que os problemas do trabalhador só serão resolvidos no dia da grande transformação, o livro mostra de maneira convincente que a sociedade justa por que lutamos precisa ser construída desde já, na barriga do atual sistema. Nesse processo, trata-se de ocupar “interstícios” e multiplicar “implantes” de uma convivência solidária no interior da sociedade injusta em que nascemos e lutamos.

Este livro sustenta que foi assim no passado e deve ser assim no presente. Solidariedade é uma palavra saborosa que vale como aposta radical na generosidade do ser humano e em sua capacidade de ver o semelhante, o outro, como parceiro e amigo – não como rival e competidor.

Os exemplos discutidos por Singer no final – Mondragón na Espanha, Emilia Romana na Itália, usina Catende em Pernambuco, as cooperativas do MST e vários outros – são uma prova contundente de que é possível construir circuitos eficientes de economia não-capitalista no transcurso da prolongada marcha histórica que permitirá ao ser humano – no tempo e no ritmo que se mostrarem adequados – depositar a mentalidade possessiva que é própria do capitalismo na mesma prateleira em que já estão arquivados o feudalismo e a escravidão.

Luís Inácio Lula da Silva

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