A Responsabilidade Pública do Economista

Paul e Melanie Singer – 50 Anos da Regulamentação da Profissão de Economista (2001)

Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. O olhar que falta à maioria é o econômico. O rumo da economia é decidido por políticas do estado, que afetam a todos. Na democracia, ‘todos’ temos a faculdade de eleger quem deve encabeçar o estado e definir estas políticas. A grande maioria do público acha que não entende de economia, que esta é complexa demais e deve ser deixada aos ‘especialistas’

 

Na campanha eleitoral todos os candidatos prometem o mesmo: crescimento, emprego, distribuição da renda. Depois que o governo é eleito, os credores impõem sua vontade. Resultado: juros altos, corte do gasto social do estado, crescimento mínimo e desemprego máximo. Os eleitores se sentem enganados, os mais esperançosos desistem da democracia, que percebem corrompida pelos que mandam no dinheiro.

 

A principal responsabilidade pública do economista é ser um farol para o povo. Não lhe cabe indicar o caminho – que cada um escolhe de acordo com suas idéias e valores – mas ensinar a cidadão comum as noções básicas que permitem entender o que está em jogo. A globalização financeira, a dependência financeira do exterior, o comércio internacional, a administração da demanda efetiva, causas e conseqüências da inflação. Ensino que tem seu ponto alto nas campanhas eleitorais, quando desperta o interesse cívico, mas que não deve cessar nos períodos entre eleições.

 

Nós economistas temos uma formação em comum, mas nos guiamos por visões de mundo diferentes. Do que resultam teorias econômicas distintas. Entre ortodoxos (neo-liberais) e heterodoxos (keynesianos, marxistas) dívida externa, globalização e inflação tem diagnósticos e prognósticos diferentes. O debate entre nós é essencial para que o eleitorado possa escolher conscientemente e cobrar dos eleitos seus compromissos.

 

Precisamos aprender a dialogar em português e eventualmente ensinar economia no curso primário, em cursos de fim de semana nas igrejas, sindicatos e clubes. Precisamos ocupar lugar nos meios de comunicação de massa – TV, imprensa – e interagir com profissionais de outros saberes para dar à democracia eleitoral sua chance.

 

Minha profissão de fé

 

Paul Singer

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