DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

Há vizinhanças ricas, vizinhanças de renda média e vizinhanças pobres. Poucas são as vizinhanças em que moram pessoas de todas as classes sociais. É o mercado imobiliário que as separa no espaço. Os ricos vivem agrupados nos lugares chiques e caros, a classe média mora em áreas servidas por escolas, shoppings etc. e os pobres vivem na periferia, onde não há tais facilidades e muitas vezes a terra sequer é legalmente dos moradores.

Por causa da falta de tudo, sobretudo de dinheiro, os pobres desenvolvem hábitos de solidariedade e ajuda mútua, que são praticados muitas vezes em associações. Há muito mais comunidade onde reina a carência do que nos bairros ricos e de classe média. Nestes últimos reina o individualismo, as pessoas pouco precisam umas das outras. Entre os pobres, a necessidade de lutar para obter escola, posto de saúde, água encanada etc. une as pessoas e esta união encerra um importante potencial de desenvolvimento da comunidade como um todo.

Portanto, desenvolvimento comunitário aplica-se a vizinhanças, bairros rurais e cidades em que predomina a pobreza. Desenvolvimento significa a melhoria da qualidade de vida, a satisfação das necessidades por meio de renda ganha por trabalho decente. Ele pode se dar por indução externa – um investimento duma multinacional ou dum governo – ou por iniciativas da própria comunidade. Quando o desenvolvimento resulta de projetos concebidos e executados pela comunidade, ele é considerado comunitário. Ou solidário, pois o que move a comunidade e faz com que todos os seus membros participem e se beneficiem do desenvolvimento é a solidariedade.

O desenvolvimento comunitário é produzido em geral pela ação de agentes de desenvolvimento, pessoas que têm consciência de que a comunidade, devidamente mobilizada e sensibilizada, é capaz de criar novas atividades econômicas e introduzir melhorias nas atividades já praticadas, desde que seja capaz de mobilizar apoio externo, principalmente financiamento, formação profissional e assessoria técnica. Acontece que existem entidades públicas, governamentais ou não, que prestam estes serviços a comunidades pobres. Mas, estas em geral ignoram a existência de tais entidades ou foram frustradas por atendimento inadequado, perfunctório e de duração insuficiente.

Tem havido experiências em que a comunidade é mobilizada e sensibilizada, se organiza, institui órgãos de planejamento, formula projetos e depois é abandonada porque o prazo previsto para o trabalho do agente de desenvolvimento se esgotou. Ou porque as exigências do banco para financiar os projetos não puderam ser satisfeitas. As experiências bem sucedidas de desenvolvimento comunitário sempre contaram com crédito para viabilizar seus projetos e com apoio dos agentes de desenvolvimento por períodos longos, até que as melhorias adotadas comecem a dar frutos e a comunidade tenha se apossado do conhecimento tecnológico que lhe permita caminhar sobre as próprias pernas.

O desenvolvimento comunitário é, num certo sentido, um processo de aprendizado coletivo. Algumas vezes comunidades tomam conhecimento do desenvolvimento de outras e imitam o seu desempenho. É assim que o progresso se difunde. Mas, muitas comunidades carentes estão isoladas, pois carência e isolamento se condicionam mutuamente. Estas comunidades precisam de ajuda externa. Esta ajuda pode ser prestada por pessoas especialmente preparadas para esta tarefa, que é basicamente de educação popular. Os agentes de desenvolvimento trazem à comunidade um conhecimento político: de que o desenvolvimento da comunidade é possível e que ela mesma, devidamente organizada pode pô-lo em marcha.

No atual governo, diversos ministérios – de Integração Nacional, de Desenvolvimento Social, de Desenvolvimento Agrário, das Cidades, do Trabalho e Emprego entre outros – além dos bancos federais estão tratando de implementar programas de desenvolvimento comunitário. Eles estão construindo redes de instituições locais, em que agentes de desenvolvimento possam cumprir sua missão. Estas redes têm por função tanto capacitar cada comunidade a analisar suas potencialidades, como para formular projetos competentes de exploração das potencialidades eleitas pela comunidade. Mas, elas devem servir também para articular as comunidades com as agências dos três níveis de governo, para que estas lhes forneçam o dinheiro e os conhecimentos de que precisam.

Por mais pobre e destituída de recursos naturais que uma comunidade seja, ela sempre se pode desenvolver, pois sua maior riqueza é a capacidade de seus membros de trabalhar e produzir. Desenvolver significa, em essência, aperfeiçoar esta capacidade e fornecer às pessoas os meios de produção para que sua capacidade possa se exercer. Mas, significa também (e isso talvez seja o mais complicado) superar rivalidades e antagonismos entre pessoas ou clãs e forjar laços de solidariedade entre todos, que possibilitem ação comum e a mais ampla cooperação entre todos.

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